Novos desafios para o produtor rural em 2019

José Luis Bassani/instagram:explicaagro
10/04/2019 08h31

O ano de 2019 começou desafiador para muitos produtores rurais: frustração de safra, custos de produção cada vez mais crescentes, diminuição das margens devido preços de comercialização inferiores com relação ao ano passado, e alterações que impactarão as rotinas fiscais e tributários no agro.

 

Com a frustração de safra, as receitas para o produtor nas regiões mais afetadas pela estiagem do último verão serão reduzidas em até 50% da média. Isso comprometerá o fluxo de caixa da atividade, onde compromissos terão que ser honrados, como pagamento dos insumos, financiamentos, entre outros. Assim, a possibilidade de não poder pagar parte ou todos os compromissos firmados aumenta. Aí, é necessário buscar orientação para adotar a melhor estratégia afim de renegociar possíveis débitos. Afinal, é importante ter o nome limpo na praça, só assim para manter a atividade em operação.

 

Já os custos de produção estão aumentando a passos largos. Em tempos de "vacas gordas", o dinheiro circula mais e a tendência é de os preços subam. Com isso, surgem as oportunidades dos fornecedores em aumentar o faturamento de suas vendas. Estamos em um mercado competitivo, e isso é normal. Só que a receita do produtor rural é variável, está na mão do mercado de commodities, mas os preços dos insumos e outros produtos não sofrem a variação no mesmo sentido da queda dos preços. Ou seja, além de aumentar os custos do produtor, a sua margem diminui consideravelmente. Nesta hora, é importante revisar os custos para evitar excessos e desperdícios, e fazer uma boa estratégia de comercialização.

 

No aspecto fiscal, a Receita Federal começou a apertar o cerco aos produtores rurais, passando a exigir informações através do CAEPF (Cadastro de Atividade Econômica da Pessoa Física), o E-Social e do Livro Caixa Digital do Produtor Rural. Tá certo que este último é público-alvo produtores rurais com receita bruta  a partir de R$3,6 milhões. Já o E-social e o CAEPF passam a ser obrigatórios para todos os produtores rurais. É importante estar em dia com o fisco, seja prestando informações sobre a atividade de forma correta, e também com os pagamentos dos tributos em dia e corretamente. A Receita Federal está cada vez mais cruzando as informações através dos recursos computacionais mais avançados que existem. Portanto, não há margem para omissão de informações ou de tributos a pagar.

 

Diante do exposto, é necessário o produtor rural estar atento e atualizado sobre as informações do mercado do agronegócio e os impactos na sua atividade. Conhecer as receitas, os custos de produção e os procedimentos administrativos é importante para uma boa gestão do seu negócio, evitando assim surpresas desagradáveis. Sabemos que o produtor tem muita coisa para tocar: a produção, tanto na parte agronômica e da pecuária exige constante acompanhamento e conhecimento técnico. Por outro lado, é necessário estar por dentro da gestão negocial e financeiro da atividade.

 

A pergunta que fica para reflexão é o seguinte: De que adianta tocar seu negócio com excelência na produtividade e "entregar de bandeja" o retorno financeiro da sua atividade?

Uma sugestão pertinente é consultar um profissional em finanças e gestão do agronegócio para buscar a melhor orientação.

 

José Luís Bassani, é economista especialista em agronegócios e finanças bancárias.


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